domingo, 13 de junho de 2010

Escorrendo para o escuro

Partida.

Porém ainda montada, como um quebra cabeça que as peças foram colocadas lado a lado, sem ter sido encaixada. Como se ao toque errado, da pessoa errada, com a força inapropriada eu me estilhace em tantos pedaços que não há como juntar. Depois a água da chuva me leve tão rápido para a escuridão que não há como pegar nenhuma parte de mim. E na escuridão eu fique, pra servir de lição e mostrar que é nela que se deve ficar quando se esquece do que é importante na vida.

E o tempo passa... O mesmo tempo que não vi passar quando era verdadeiramente importante... E ainda é, mas nem pra tudo. E todos.

Sinto meu coração disparar e o fluxo do sangue fechar minha garganta como se fosse me obrigar a gritar e implorar "perdão" sempre que penso nele. E me pergunto quantas vezes mais irei sentir isso. Quem irá depois? Quem eu não direi "você é muito importante pra mim" antes que eu fique de novo no escuro?

Sinto meu corpo tremer, como se o sangue não chegasse aos meus membros e eles tem que se segurar nos meus músculos, trêmulos pra se manter unidos ao corpo. Sinto um buraco no meu peito... E me sinto hipócrita.

Parte desse sentimento vem de não saber se você me escuta quando peço perdão. E se escuta, agora já não faz diferença e eu vou engolir esses espinhos pelo resto da minha vida.

Mas não sei como parar de dize: Me perdoa.

Ao mesmo tempo sei que não mereço.

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