domingo, 20 de junho de 2010

A voz... Melhor o silêncio.



Ser notado.
Ser o centro das atenções não é nada agradável, ao meu ver. Ter a atenção de quem se ama, sim, vale muito.

Depois desses dias de chuva intensa e de cheias nas cidades do meu estado lindo de Pernambuco, o sol apareceu nos últimos dois dias. Mas apareceu pra enfeitar, não aquele pra esquentar e DIZER: acabou, minha gente. Chega de chuva arrasadora.
É exatamente isso. Um sol adorno, e só.

Sente-se que a presença é um adereço, o sorriso é mais um ruído. Na hora de deixar a voz colérica de um desabafo quase vomitado de dor, não se ouve, se escuta.
Sente-se que se calar, no final, não fará diferença, porque no começo também não fez.
Sente-se que seu sangue não lhe ouve e que na hora escura, é esse mesmo sangue desprezado, que vai segurar a mão.
Sente-se que um novo estranho te enxerga, não só te vê. Que só depois disso o, já consolidado irmão, nota você.
Sente-se que, não importa o quanto você faça, há sempre alguém distante que vale mais longe do que você perto, e isso não é escondido de você. É jogado na sua cara, como se você fosse tão cego quanto mudo.

A voz...

Me calo. O silêncio é adorado por mim agora. Cansei de escutar minha voz entalhar palavras e fazer mais diferença pra madeira atrás da porta, depois de passar direto pelo ouvido de quem me pediu pra falar. Vamos manter as coisas brandas, é o suficiente para que a consciência seja massageada e nada seja notado.
Dizem: É melhor ver o meu ombro amigo firme, pois quando eu precisar, vai estar lá. To sem tempo agora pra dar o meu. E se eu der o meu, vai ser pior, porque ele vai chorar e a dor só piora quando damos atenção a ela.

Entendo, muita bondade da sua parte. Obrigada pela atenção, agora, dispensada. Meu silêncio agora vai falar. Espero que não adormeça meu corpo quando você encostar a cabeça no meu ombro pra chorar.

PS: Espero estar errada com relação ao sol.
Que ele venha e fique, que nos recuperemos e que, ao chover, seja pra matar a sede, não matar a todos.

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